Durante a X Festa do Livro da USP ocorreu uma dessas coisas que dão a impressão de que o Universo conspira a seu favor, isto é, neste caso, a favor desta pesquisa. Caminhando pelas bancas, olhando livros aqui e acolá, parei na pequena banca com publicações do Museu Paulista. Àquela época, Eu e Oscar havíamos acabado de ter a idéia do tema do projeto da pesquisa e ainda estávamos conversando sobre a viabilidade de a fazermos, qual seria nossa disponibilidade, etc. E num determinado momento, quando fixo meu olhar em uma série de “revistas”, deparo-me com a coleção dos Cadernos de História de São Paulo, que foi publicado na década de 90 pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo quando o professor Ulpiano Bezerra de Menezes ainda era seu diretor. Folheando rapidamente a coleção, logo vi que ela seria de grande utilidade para nossa pesquisa e acabei arrematando toda a coleção (5 volumes).
De novembro/2008 pra cá, devido as provas finais, festas de fim de ano e outras leituras para o projeto, ainda não tinha voltado a abrir os cadernos, o que só vim a fazer hoje. Logo de cara, vejo uma introdução do próprio professor Ulpiano justificando a importância e razões para se montar, àquela época (1991), um curso permanente de História de São Paulo. Logo em seguida, vários especialistas de cada campo de estudo (História, Geografia, Economia, Arquitetura e Urbanismo, Antropologia e Sociologia), tecem comentários sobre como cada um desses campos tratam o conhecimento da cidade. O primeiro texto que li, claro, foi o que se dedicava, dentre outras coisas, a falar de como a História, como campo de conhecimento, tem feito para abordar a cidade e o urbanismo como objeto de pesquisa. Ali a professora Raquel Glezer nos indica caminhos, instrumentos de pesquisa e fala rapidamente de alguns equívocos e lacunas que ela percebeu no estudo que os historiadores vinham procedendo ao se deparar com esse tema.
Esse texto nos é muito útil por vários motivos. Um deles é que ela indica três instrumentos que, na visão dela, são básicos para quem está pretendendo fazer uma pesquisa sobre a História de São Paulo, como nós. Segundo Glezer:
“devemos destacar a existência para o pesquisador de três preciosos instrumentos de pesquisa que servem como guias orientadores, as bibliografias. São elas, por sequência de publicação: o Manual bibliográfico da Geografia Paulista (julho de 1956), organizado pela comissão de geografia Regional, com o item ‘A cidade de São Paulo e sua região’, com 200 títulos; a Evolução urbana da cidade de São Paulo. Estruturação de uma cidade industrial (1872-1945), coordenada por Maria Lúcia Perrone Passos, que contém 1130 títulos, centrada apenas em monografias; e embora especializada e de alto valor, 1001 Teses sobre o Brasil urbano. Catálogo bibliográfico (1940-1989), organizado por Lícia do Prado Valladares, no qual localizamos 180 títulos diretamente referentes à cidade.”
Esses três títulos, caso não seja possível comprar, deverão servir de guias para nossa pesquisa tal qual nos sugere a professora em seu texto.
Outro destaque que gostaria de fazer da rápida leitura que fiz das primeiras páginas deste volume, é a conclusão da apresentação feita pela professora Maria Lúcia Perrone Passos. Ao apresentar o primeiro volume dos Cadernos, ela conclui sua apresentação destacando o fato de que em todos os textos apresentados naquele caderno, dois pesquisadores são constantemente citados e reverenciados: Pierre Monbeig e Caio Prado Jr. Portanto, como não poderia deixar de ser, estes são mais dois autores obrigatórios que devemos levar em conta em nossa pesquisa.