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Após comprar o Dicionário de História de São Paulo, de Antônio Barreto do Amaral, percebi que uma visita à Academia Paulista de Letras é imprescindível para nós. A maior parte dos escritores contidos na lista referida abaixo, ou mesmo fora dela, foram fundadores da APL. Quando não eram fundadores, foram membros que acabaram por substituir os primeiros donos das cadeiras.

Visitando o site da instituição, verifiquei que ela está localizada no Largo do Arouche, 312/324, e seu acervo é composto de vasta biblioteca e hemeroteca contendo periódicos antigos da cidade.

Link do site da Academia Paulista de Letras.

PS: Outra instituição que valia a visita era o IHGSP, contudo, após a falência e fechamento do instituto, cabe apenas a visita a APL.

No fim de janeiro, mais precisamente no dia 23, eu e Oscar fomos até a Faculdade de Direito do Largo São Francisco tentar levantar uma lista de ex-alunos que acabaram por se tornar escritores com obras publicadas entre 1870-1914. Chegando lá, fomos direcionados ao arquivo aos cuidados do Sr. Valdir, que nos recebeu muito bem e nos indicou o livro POETAS E PROSADORES ACADÊMICOS, organizado por MACHADO JR., Armando Marcondes e editado pela própria Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Indicação dada, fomos até a referida Associação, localizada na própria faculdade, e logo compramos um exemplar do livro.

O fato é que ao abrimos o livro, logo no índice, já encontramos uma lista de autores que atendeu plenamente a nossos anseios. Assim, a lista de autores cujo perfil biográfico e obras devemos levantar para selecionar a bibliografia a ser utilizada na pesquisa,  é quase totalmente extraída desse volume supracitado, excetuando-se um ou outro autor que adicionamos à revelia.

  • Afonso Schmidt
  • Alphonsus de Guimaraens
  • Álvares de Azevedo
  • Antônio de Alcântara Machado
  • Baptista Cepellos
  • Bernardo Guimarães
  • Bolívar Barbosa
  • Cassiano Ricardo
  • Castro Alves
  • Eduardo Prado
  • Fagundes Varella
  • Guilherme de Almeida
  • José de Alencar
  • José Bonifácio de Andrada e Silva (O Moço)
  • Júlio Ribeiro
  • Menotti del Picchia
  • Moacyr Piza
  • Monteiro Lobato
  • Oswald de Andrade
  • Paulo Duarte
  • Paulo Eiró
  • Raul Pompéia
  • Raymundo Corrêa
  • Rui Ribeiro Couto
  • Urbina Telles
  • Vicente de Carvalho
  • Zélia Gattai
Livro lançado em 2009 pela Senac e Imprensa Oficial

Livro lançado em 2009 pela Senac e Imprensa Oficial

O caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, deu publicidade hoje ao lançamento do livro Desenhando São Paulo – Mapas e Literatura, 1887-1954 de Maria Lúcia Perrone Passos e Teresa Emídio. O livro está sendo lançado pela Senac São Paulo e Imprensa Oficial ao custo de R$120,00.

De acordo com o jornal, trata-se de uma reunião de mapas históricos e textos sobre São Paulo, compilados dos anos de 1887, quando a cidade começa a passar por um crescimento mais evidente, 3 1954, ano do seu quarto centenário. O atrativo, ainda segundo o jornal, é que as autoras fizeram uma apurada pesquisa cartográfica sobre São Paulo que é valorizada com textos de nomes como o crítico de arte Sérgio Milliet e o poeta Menotti del Picchia.

Entendo que vale muito a pena dar uma checada neste livro, contudo, R$120,00 fica um pouco pesado para o orçamento de qualquer um… Esperemos por alguma feira literária ou universitária.

Lendo um manual bibliográfico sobre História de São Paulo, vi a indicação de um livro com o título Café, literatura e história de Myriam Ellis que prontamente me interessou. Fui até a biblioteca da faculdade e localizei um exemplar do livro que logo peguei emprestado. Trata-se de uma coletânea de textos literários reunidos pela historiadora e que tratam sobre a História do café na província/estado de São Paulo desde sua vinda do Rio de Janeiro até sua decadência no século XX. Além da obra em si, uma coisa que interessa nossa pesquisa é a forma como a historiadora organizou os vários textos e podem nos servir como idéia para organizar nossa pesquisa.

Apesar de ela não explicar, em sua introdução, como coordenou a pesquisa de seus alunos, fica claro para quem lê o livro que Ellis coordenou uma busca em toda a literatura do século XIX e XX a fim de localizar textos literários (romances, contos e poesias) e até mesmo alguns não literários, como o caso de crônicas publicada em antigos periódicos, que abordassem de alguma maneira o café. Uma vez localizado estes textos, classificou-os em oito temas:

  1. Início da agricultura do café no Rio de Janeiro
  2. A marcha do café
  3. Da derrubada à mecanização da lavoura cafeeira
  4. Café e mão-de-obra escrava
  5. Café e sociedade
  6. O café, do transporte à Exportação
  7. Superprodução. Capitalismo e especulação. Política: defesa, valorização, preconceitos
  8. Visão da decadência

É possível perceber que os temas foram organizados de forma cronológica de modo a ilustrar o caminho percorrido pelo café em São Paulo desde a introdução do produto nas lavouras do Rio de Janeiro, no fim do século XVIII, até sua decadência já no século XX.

Não há análise crítica sobre os textos dispostos no livro, fato que Myriam Ellis justifica, ao introduzir o livro, da seguinte forma:

não se trata de simples coleção de textos extraídos de ‘romances históricos’, propriamente ditos, sobre o café. O romance histórico tende a ser, quase sempre, uma deformação, e praticamente, não serve ao historiador. Mas de uma seleção de textos extraídos da crônica, do conto, do teatro e do romance especialmente, que revelam qualidades historiográficas, qualidades essas inerentes, também, a inúmeras outras obras da literatura brasileira que refletem épocas, ambientes e retratam a sociedade.

Desta forma, a coordenadora do livro nos deixa entender que é justamente a seleção de textos realizada pelos historiadores que faz a obra ser importante para a historiografia. Mais adiante, citando José Honório Rodrigues, nos diz que Romance e História estão presos à uma mesma característica que é o fato de ambos ocuparem-se da história e estarem submetidos ao tempo. É assim, na visão destes historiadores, que uma obra de ficção pode tornar-se uma fonte imediata do historiador, uma vez que esta vincula-se à realidade histórico-social do seu tempo e o fato da dupla criação e recriação serem etapas de um mesmo processo histórico.

Eis porquê entendo que tal livro seja leitura obrigatória de nosso projeto e motivo pelo qual publico este post aqui.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ELLIS, Myriam. O café: literatura e história. São Paulo: Melhoramentos, Edusp, 1977.

Durante a X Festa do Livro da USP ocorreu uma dessas coisas que dão a impressão de que o Universo conspira a seu favor, isto é, neste caso, a favor desta pesquisa. Caminhando pelas bancas, olhando livros aqui e acolá, parei na pequena banca com publicações do Museu Paulista. Àquela época, Eu e Oscar havíamos acabado de ter a idéia do tema do projeto da pesquisa e ainda estávamos conversando sobre a viabilidade de a fazermos, qual seria nossa disponibilidade, etc. E num determinado momento, quando fixo meu olhar em uma série de “revistas”, deparo-me com a coleção dos Cadernos de História de São Paulo, que foi publicado na década de 90 pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo quando o professor Ulpiano Bezerra de Menezes ainda era seu diretor. Folheando rapidamente a coleção, logo vi que ela seria de grande utilidade para nossa pesquisa e acabei arrematando toda a coleção (5 volumes).

De novembro/2008 pra cá, devido as provas finais, festas de fim de ano e outras leituras para o projeto, ainda não tinha voltado a abrir os cadernos, o que só vim a fazer hoje. Logo de cara, vejo uma introdução do próprio professor Ulpiano justificando a importância e razões para se montar, àquela época (1991), um curso permanente de História de São Paulo. Logo em seguida, vários especialistas de cada campo de estudo (História, Geografia, Economia, Arquitetura e Urbanismo, Antropologia e Sociologia), tecem comentários sobre como cada um desses campos tratam o conhecimento da cidade. O primeiro texto que li, claro, foi o que se dedicava, dentre outras coisas, a falar de como a História, como campo de conhecimento, tem feito para abordar a cidade e o urbanismo como objeto de pesquisa. Ali a professora Raquel Glezer nos indica caminhos, instrumentos de pesquisa e fala rapidamente de alguns equívocos e lacunas que ela percebeu no estudo que os historiadores vinham procedendo ao se deparar com esse tema.

Esse texto nos é muito útil por vários motivos. Um deles é que ela indica três instrumentos que, na visão dela, são básicos para quem está pretendendo fazer uma pesquisa sobre a História de São Paulo, como nós. Segundo Glezer:

“devemos destacar a existência para o pesquisador de três preciosos instrumentos de pesquisa que servem como guias orientadores, as bibliografias. São elas, por sequência de publicação: o Manual bibliográfico da Geografia Paulista (julho de 1956), organizado pela comissão de geografia Regional, com o item ‘A cidade de São Paulo e sua região’, com 200 títulos; a Evolução urbana da cidade de São Paulo. Estruturação de uma cidade industrial (1872-1945), coordenada por Maria Lúcia Perrone Passos, que contém 1130 títulos, centrada apenas em monografias; e embora especializada e de alto valor, 1001 Teses sobre o Brasil urbano. Catálogo bibliográfico (1940-1989), organizado por Lícia do Prado Valladares, no qual localizamos 180 títulos diretamente referentes à cidade.”

Esses três títulos, caso não seja possível comprar, deverão servir de guias para nossa pesquisa tal qual nos sugere a professora em seu texto.

Outro destaque que gostaria de fazer da rápida leitura que fiz das primeiras páginas deste volume, é a conclusão da apresentação feita pela professora Maria Lúcia Perrone Passos. Ao apresentar o primeiro volume dos Cadernos, ela conclui sua apresentação destacando o fato de que em todos os textos apresentados naquele caderno, dois pesquisadores são constantemente citados e reverenciados: Pierre Monbeig e Caio Prado Jr. Portanto, como não poderia deixar de ser, estes são mais dois autores obrigatórios que devemos levar em conta em nossa pesquisa.

Nem Tudo Era Italiano

Nem Tudo Era Italiano

Tese de mestrado defendida por Carlos José Ferreira dos Santos na PUC, em 1995 e publicada pela Annablume/Fapesp três anos depois. O livro volta suas atenções às populações pobres nacionais que viviam na cidade de São Paulo na virada do século XIX para o XX. Um dos objetivos do trabalho é demonstrar que, ao contrário do que era veiculado pela elite paulistana da época nos documentos oficiais produzidos pelos governos municipais e provinciais/estaduais, nem tudo era italiano na cidade de São Paulo no período estudado (1890-1915).

Além das supramencionadas fontes oficiais, Carlos José também faz bom uso de memorialistas, cronistas, periódicos e fotografias da época como fontes importantíssimas no intuito de identificar onde estavam as camadas populares nacionais na cidade de São Paulo, propositalmente suprimida e excluída do progresso da desejada metrópole. O esforço de Carlos José é localizar (pra não dizer flagrar), nos silêncios destes documentos ou escondidos nos cantos das fotos, como se fossem figurantes, quem eram essas pessoas, onde trabalhavam, como subsistiam e, de sua maneira, como resistiam às transformações impostas por uma São Paulo que crescia cada vez mais e que, através deste crescimento, buscava a substituição de toda esta camada social composta por negros, mestiços, caboclos, mulatos, índios e caipiras, dentre outros, pelos celebrados imigrantes europeus (italianos, na maioria).

Como diz Heloísa de Faria Cruz no prefácio da obra, o trabalho de Carlos José contribui para a “compreensão dos processos de exclusão, ontem e hoje, iluminando os silêncios da historiografia sobre as temáticas da cidade e do trabalho no período.”

Tietê, o rio que a cidade perdeu

Tietê, o rio que a cidade perdeu

Livro lançado em 2006 pela Alameda Editorial, conta a história do rio Tietê entre os anos de 1890-1940. Nele Janes Jorge conta como os moradores da cidade de São Paulo viram a transformação de um rio cheio de vida, com peixes abundantes em suas águas, pássaros e animais em suas várzeas, em um canal estreito e sujo, dominado pelos interesses da industrialização. Mais do que isso, conta como estes moradores se relacionavam com o rio e reconstrói muito da vida social da época que tinha o rio como um dos personagens da vida cotidiana do paulistano.

Apesar de parecer não estar diretamente relacionado com a pesquisa, este livro traz uma lista grande de fontes e referência bibliográficas que podem e muito auxiliar em nosso trabalho. Jorge chega, inclusive, a utilizar um livro que é nada menos do que uma coletânea de poesias escritas no início do século XX todos tendo o rio Tietê como personagem. O livro é chama-se Tietê, rio poético, de Aristides Almeida Rocha. Foi publicado em São Paulo pelo departamento de saúde ambiental em 1997 e é só um exemplo de como outros livros que, aparentemente não estejam relacionados com a pesquisa, podem ser muito úteis.

O objetivo deste blog vai além do meramente organizacional, ele tem um objetivo documental. Mais do que simplesmente publicar as idéias que vamos tendo no decorrer do projeto e ser uma ferramenta de auxílio na comunicação à distância, este blog terá o objetivo maior de registrar cada uma das fases de nossa pesquisa no momento em que ela está sendo feita. Portanto, no sentido que estamos propondo acima, documentar é registrar.

Aqui queremos registrar cada passo percorrido na dura trilha de se desenvolver uma pesquisa ainda durante a graduação. Queremos que o blog atue como uma equipe de making-off seguindo passo-a-passo os diretores de um longa metragem. Registraremos as idéias quando elas nascem, as estratégias elaboradas para pô-las em prática, as dificuldades encontradas na execução da pesquisa, os caminhos alternativos seguidos para solucionar os problemas, enfim, todos aqueles passos que vão levar ao produto final a que pretendemos chegar. Este, talvez, nem seja publicado aqui. Porém, mais importante que isso, teremos registrado nessas páginas a radiografia da pesquisa. Aqui teremos um documento que, mais do que ilustrativo do caminho percorrido, será guia para próximas trilhas, donde não mais seremos iniciantes, já que estaremos acompanhados dos sucessos e fracassos das caminhadas anteriores.